sábado, 20 de agosto de 2011

Vocação Religiosa




Neste terceiro domingo deagosto, dia em que celebramos a solenidade da assunção de Maria, comemoramos a  VOCAÇÃO RELIGIOSA. Queremos celebrar o sim generoso de tantos irmãos e irmãs consagrados que fazem de sua vida uma oferta no serviço ao Reino de Deus. Ser Religioso é ser, acima de tudo, pessoa consagrada: a Deus e ao serviço de seu povo. É amar a vida, participar da luta deste povo peregrino em busca de vida mais digna, mais humana e mais bela de ser vivida. a pessoa consagrada a Deus gasta todo o seu tempo, suas qualidades, sua vida para instaurar  a vida de Deus neste mundo marcado por competição, hedonismo, dominação, exploração, egocentrismo, injustiças, individualismo e exclusão. é nesta sociedade concreta que o religioso afirma - com suas palavras e com sua vida - que Deus é o único Absoluto. os religiosos são pessoas concretas que deixam pais, amigos, bens, a terra natal... tudo, por que querem ser todo de Deus e estar totalmente disponíveis para o serviço de seu povo.

Tornar-se um consagrado, no caso da Vida Religiosa, significa que tudo que somos, fazemos e possuímos pertence a Deus em doação livre e alegre. Significa que todo o nosso ser deve ser dirigido para a glória de Deus, como uma resposta concreta de amor a Deus. E esse doar-se a Deus, é algo radical. Não deve existir exceções nesse sentido. Todo o nosso passado presente e futuro pertencem a Deus. Tudo deve ser dirigido a Deus em culto e adoração.
Esta consagração é feita por meio dos votos de Castidade, Pobreza e Obediência. O religioso é um discípulo de Cristo e, todo discípulo procura imitar seu mestre. Neste sentido a prática dos votos é uma forma de imitar a Castidade de Cristo, a Pobreza de Cristo e a Obediência de Cristo.




CASTIDADE: Este voto não significa um desprezo pelos afetos humanos, mas sim um coração aberto para amar radicalmente a Deus e aos irmãos, principalmente os pobres que se sentem tentados a não se sentirem dignos de amor ou quem não é realmente amado (CENCINI, 2008, p. 19). Jesus também não se casou. Ele podia muito bem ter-se casado, mas não quis, para poder ser mais disponível a todos os que precisassem dele. Uma vez ele explicou que há pessoas que não se casam para poder dedicar-se mais ao Reino de Deus. Mas depois acrescentou: só entende isso aquele a quem é dado entender (Mt 19,12). Isto é, só entende aquele a quem Deus dá este carisma, esta vocação. O voto de castidade leva o religioso a jamais excluir alguém da sua amizade, do seu afeto. Este voto vem libertar o afeto de qualquer delimitação. Por tudo isso se vê que os votos não bloqueiam as riquezas e potencialidades da pessoa, pelo contrário, as dinamizam.


POBREZA: O religioso opta por viver na simplicidade de vida diante das coisas materiais, apesar da orientação desnorteada do apelo de materialismo. Ele busca o necessário para viver na dignidade de sua filiação divina. Por outro lado, ele recusa acumular bens que não são necessários e que podem deixar seus irmãos em necessidade.  Assumimos uma vida de partilha livre, alegre e generosa. Por isso, em sua vida de pobreza, o religioso anuncia que há coisas mais importantes em sua vida humano-espiritual do que a pose de bens materiais como a oração, a fraternidade, a amizade, o amor e a partilha.

OBEDIÊNCIA: É querer doar ao Pai o que é mais precioso em nossa humanidade, nossa vontade livre. É querer, como Cristo, em tudo ser obediente ao Pai. Obediência está na linha de amor e doação. Não pode ser algo forçado. É uma expressão viva e profética de amor a Deus e aos nossos irmãos. Mas precisa necessariamente ser livre. A doação de nossa vontade tem de ser livre.








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Conferir:
BOFF, Leonardo. Vida Segundo o Espírito. Petrópolis: Vozes, 1981. p. 79 – 91
KEARNS. Lourenço. A Teologia da Vida Consagrada. Aparecida: Santuário, 1999. 7ª ed. p. 23 – 38
CENCINI, Amadeo. Virgindade e Celibato Hoje. Lisboa: Paulus, 2008. p. 17 – 20





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