terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Testemunho Vocacional Ir. Jerônimo Gonçalves, OCS (25 anos de votos perpétuos)


Ir. Jerônimo Gonçalves dos Santos celebrou no dia 25 de Janeiro/ 2014 o jubileu de 25 anos de Votos Perpétua. Atendendo ao nosso pedido, deu seu testemunho vocacional. 




“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do Mundo” (Cf. Mateus 28,20).

Introdução:

Após a Celebração Eucarística de Ação de Graças pela ocasião do meu Jubileu de Prata da Emissão dos meus Votos Perpétuos na Congregação dos Oblatos de Cristo Sacerdote, no dia 26/01/2014, em sua Capela principal, atendo com alegria e grata satisfação ao pedido dos meus confrades de caminhada Religiosa, que me propõe em entrevista de elaborar uma Breve Biografia a respeito de minha pessoa (I); o que representa 25 anos de vida Religiosa Consagrada Oblaciana (II) e, qual conselho possa dar às gerações que estão chegando à Comunidade Oblaciana, nas suas etapas de Formação e de realizações (III).

I)Breve Biografia:

Nasci a 07/03/1962, às seis e quinze da manhã, numa Quarta-feira de cinzas, em casa. Sou o segundo de dez filhos de meus pais... Sou o mais velho, pois o primogênito, Alecyr Gonçalves dos Santos, faleceu aos três meses de idade, decorrente de complicações alimentares...

Sou natural de São Gonçalo (região metropolitana da Cidade do Rio de Janeiro), do Estado do Rio de Janeiro.
Meu pai (in memoriam) chama-se Sr. Altair Machado dos Santos.
Minha mãe: Sra. Cecília Maria Gonçalves dos Santos.
Meus avós paternos: Sr. Severino Francisco dos Santos e Sra. Alayde Machado dos Santos.

Meus avós maternos: Sr. Manoel Gonçalves e, Sra. Leocádia de Brito Gonçalves.
Meus irmãos e irmãs em ordem de precedência: Cristina, Anselmo, Gabriel, Alaíde, Ulisses, Cláudia, Wilson e Washington...

Fui Batizado a 01/01/1963 na Paróquia de Santo Antônio do Bairro da Covanca em São Gonçalo (RJ), como consta o número 282 do Livro 5, folha 66v. Sendo meus padrinhos: Sr. Alípio e, Sra. Nazilda.

Por motivos de trabalho, meu pai foi convidado para acompanhar a abertura de uma filial da Empresa Fluminense (metalúrgica) em Minas Gerais, na Cidade de São João del Rei...Desta feita, a família mudou-se para às Minas Gerais.
              
A família era pequena, composta de quatro membros: meu pai, minha mãe, minha irmã Cristina e, eu... Fomos morar numa localidade chamada César de Pina, onde nasceram meus irmãos e irmãs...

Tive uma infância feliz e saudável, com as estripulias próprias da idade, juntamente com os meus irmãozinhos (as). Aos sete anos, papai matriculou-me no Grupo Escoar do lugar (setor rural). Mas ele percebendo que o sistema era muito precário, as aulas eram suspensas no tempo do plantio e das colheitas; então resolveu matricular-me na Cidade de São João del Rei, distante doze quilômetros. Perdi um ano, pois o Grupo Escolar da Cidade ao averiguar os planos de aula, resolveram que deveria refazer o 1º ano Primário.

Tudo bem. Meu pai matriculou-me no primeiro ano (com oito anos de idade), juntamente com a minha irmã Cristina (com sete anos de idade, na idade correta), no ano de 1970 no Grupo Escolar Aureliano Pimentel, até 1972; quando mudamos para São João del Rei, onde por motivo de jurisdição, teria que estudar na Escola do Bairro mais próximo da residência do aluno.Assim em 1973, já no quarto ano Primário, cursei-o na Escola Estadual Dr. Garcia de Lima, distante mais ou menos 200 metros de casa...

Fiz a Primeira Comunhão a 26/11/1972, aos dez anos de idade, realizada na minha Paróquia Dom Bosco, na Capela do Seminário Diocesano São Tiago. Ainda em 1973, entrei numa Organização Paramilitar, onde permaneci até 1977, aprendi muito sobre como compartilhar os dons recebidos, como também, viver sob autoridades.

De 1974 à 1977, cursei o Ensino ginasial (Fundamental), no Colégio São João, sob a Direção dos Salesianos, como externo; onde tive os primeiros lampejos sobre a Vocação Religiosa.

Em 1978, comecei o Ensino Médio (na época chamado de científico); cursei-o no Instituto Auxiliadora, sob a direção das Irmãs Salesianas, no período noturno. No período da manhã, fiz um Curso no SENAI para Ajustador Mecânico; apenas o 1º ciclo, pois desisti.
Aprendi também neste ano, a confeccionar bolas de futebol, vôlei e de futebol de salão. Com o dinheiro que recebia, fiz algumas aulas introdutórias de violão popular, com o Professor Agenor a domicílio (in memoriam).

Já pelo final de 1978, em Novembro, um colega de turno (não de classe); o conhecia pelos campeonatos de futebol, promovidos pelos salesianos, achega-se a mim, do nada e, questiona-me se gostaria de ir para o Seminário... Respondo que sim, porém não conhecia os processos para tal. E, ele (Eugênio Paccelli de Oliveira Martins), comunica que estava indo para o seminário, no início de 1979; e, se quisesse, me levaria junto com ele... Combinou-se, que, no último dia de aula, eu levasse a resposta, após consulta aos meus pais...

Aconteceu que, no dia previsto, não pude sair de casa, pois desabou um violento temporal... Dei por perdida a situação... Porém, a Graça Divina, atua: no dia vinte de dezembro, aparece pela manhã em casa, o Eugênio, acompanhado de um clérigo do Seminário, chamado Antônio Lara dos Santos, que viria a ser meu Padrinho de Crisma...
Conheceram meus pais e disseram que, o Padre Promotor Vocacional, dentro de uma semana, viria conhecer-me e à minha família...

De fato, Pe Ângelo Cremonti – omv (Congregação dos Oblatos de Maria Virgem. De Fundação Italiana, tendo como Fundador o Venerável Pe Pio Bruno Lanteri. De carisma na Ação Paroquial e Missionária), veio; conheceu-nos e, fui aprovado ( mostrei-lhe meus históricos escolares e, estava dentro dos limites de idade e, da escolaridade – contava dezesseis anos e, terminava o 1º ano do 2º Grau (Ensino Médio).
              
Ficou determinado que , em janeiro de 1979, deveria participar de um encontro vocacional – no entanto, fiquei esperando e, ninguém apareceu para levar-me, pois não tinha o endereço da localidade...

Aconteceu o inusitado; não falei com ninguém de fora da minha família que estava para entrar num seminário – no entanto, a novidade espalhou-se como pólvora: o filho da dona Cecília vai para o Seminário... Pessoas do bairro que nem conhecia bem, assim como os vizinhos da rua, deram-me material para o enxoval: ganhei roupas, cadernos, sapatos, chinelos, material de higiene, malas, etc. O que era próprio para mim, levei – o restante, mais da metade, ficou para os meus irmãos (ãs).

No dia 08/02/1979, o Eugênio aparece em casa e disse que no dia seguinte estava indo para o Seminário e, que o Padre, apesar de não ter feito, a semana do Encontro Vocacional, gostou  de mim e permitiu que eu fosse com ele.No dia seguinte de fato, viajamos para São Paulo, para a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes do Planalto Paulista; onde, Pe Ângelo Cremonti – omv, era o Pároco,

Chegando lá, combinou-se que deveria passar uns dias com ele; pois a viagem para o Seminário seria no dia 20/02/1979, para Curitiba-Pr. Fui aprovado. Em Curitiba, cursei o 2º e o 3º ano do Ensino Médio, respectivamente: 1979 / 1980. Entre as novidades e os aprendizados adquiridos, o fato mais marcante foi a realização e recebimento da Crisma, no dia 03/12/1979, tendo como Padrinho, o clérigo Antônio Lara dos Santos (obs.: teve uma passagem entre nós Oblatos de Cristo Sacerdote; saindo, entrou para os Joseleitos; ordenou-se entre eles, e foi padre por um ano, quando veio a falecer).


Ao término do Ensino Médio, fui aconselhado a procurar uma Congregação de caráter contemplativo, pois não era talhado para o serviço de ação paroquial / missionário. Em janeiro de 1981, parti para casa...

Uma vez em casa, retornei meus afazeres de outrora: costurar e confeccionar artefatos de couro – porém não estava feliz. Meu pai percebeu. E um dia, levou-me ao Bispo Dom Delfim Ribeiro Guedes (Bispo Diocesano de São João del Rei) e, narrou as suas preocupações. O Bispo foi atencioso. Destinou-me para o Seminário de Mariana (MG), após o exame dos meus Históricos Escolares. Falou-nos dos custos e mensalidades. Meu pai entristeceu-se, pois não poderia arcar com os custos e na continuidade da conversa, D. Delfim, comunicau que na Diocese, na cidade de Prados (cidade vizinha), estava aos cuidados de uma Congregação de Fundação brasileira nova e, que aceitava vocacionados sem muitos recursos fianceiros – e, ele escreveu uma Carta de Encaminhamento ao Pároco da Cidade: Pe Sebastião Cândido Martins - ocs e disse que eu deveria ir até lá para conversar.

De fato papai e eu fomos lá. E o Pe Martins – ocs, disse-nos que o Fundador da Congregação (Pe Januário Baleeiro de Jesus e Silva – ocs) estava fazendo a Semana Santa na região e, que na 2ª feira viesse conhecê-lo. Voltamos! Conversamos. E, o Pe Baleeiro – ocs, conheceu-me, contou sobre o Carisma da Comunidade Oblaciana e, após a vistoria dos meus Históricos Escolares, aprovou-me – e disse  que no dia seguinte, estivesse pronto, num ponto próximo a minha residência, que me levaria para Roseira (SP), onde situava a Casa Generalícia.

E, no dia 22/04/1981, desembarco em Roseira (SP).  Fui admitido ao Postulantado e, matriculado ao 1º ano do Curso Filosófico. No 2º semestre, no dia 15/08/1981, sou admitido ao Noviciano próprio da Congregação dos Oblatos de Cristo Sacerdote.
              Em 08/12/1982, emito os primeiros votos de Castidade, Pobreza e Obediência por um triênio... Em 1983, no segundo semestre, sou escolhido para fazer um Curso de Catequese Missionária no Instituto de Catequese Missionária Mater Ecclesia, na Itália, afiliado á Faculdade de Missionologia da Universidade Urbaniana de Roma, para o biênio 1983 / 1985...

No dia 23/02/1983, recebo a investidura dos ministérios do Leitorato e do Acolitato.
              
De volta ao Brasil em outubro de 1985, retorno aos estudos acadêmicos da Congregação.  Assim, de 1986 até 1989, curso e concluo com êxito, o Curso Teológico. Ainda no ano de 1986, em 12/01/1986, renovo por mais três anos, os Votos de Castidade, Pobreza e Obediência...
              
Em 25/01/1989, na Festa Litúrgica de São Paulo Apóstolo, emito os meus Votos Perpétuos na Congregação dos Oblatos de Cristo Sacerdote. Em linhas gerais e singelas esta é a minha trajetória Vocacional Religiosa...
              
Quanto às atividades exercidas nestes períodos de quase trinta e três anos oblacianos, foram as seguintes: Auxiliar de Cozinha, Professor de Matemática para o Ensino Fundamental, Assistente Disciplinário, Secretário Escolar, Secretário Particular do Superior Geral, Bibliotecário, Digitador de Trabalhos Acadêmicos dos Confrades (Filosofia / Teologia), Serviços Gerais e, Assistente e Acompanhante de Confrades Enfermos da Comunidade Oblaciana.
              
Por mercê e misericórdia de Cristo Sacerdote, da Virgem Maria Santíssima e, São José Operário: Deus seja louvado.

II)O que representam 25 anos de Vida Religiosa Consagrada Oblaciana:
[1989 – 25 de Janeiro – 2014.]
              
Realizou-se no dia 26/01/2014 (Domingo da terceira semana do Tempo Comum), a Celebração Eucarística em Ação de Graças pelo Jubileu de Prata da Emissão dos meus Votos Perpétuos (Pobreza, Castidade e Obediência), na Congregação dos Oblatos de Cristo Sacerdote.
              
Foi uma celebração ímpar; com a participação dos Confrades de ideal religioso, Fiéis e Amigos (as); com a presença de sete confrades Sacerdotes que concelebraram: Pe Carlos Mariano – ocs (Superior Geral e Presidente da Eucaristia ), Pe José Roberto Rosa – ocs ((1º Conselheiro), Pe Sandrosvaldo Gonçalves – ocs (Superior Local da Casa Geral Oblaciana), Pe Adilerson José do Carmo – ocs, Pe Adão Albino Caetano – ocs, Pe Adriano José Cruzeiro – ocs e, Pe Diogo Gouveia – ocs (Assistente do Mestre de Noviços Oblacianos)...
              
Durante a homilia, onde Pe Carlos Mariano –ocs, frisou entre outros temas, a trajetória da vida Religiosa, desde os Encontros Vocacionais até o cume da vida Religiosa: os Votos Perpétuos (aos que optam pela dimensão de Irmãos Consagrados) e, ao Sacerdócio.
            
Neste momento, passam diante da memória, todos os momentos dos itinerários de minha vida e dimensão vocacional religiosa: os anseios, as dificuldades, as alegrias, as realizações, as amizades...
              
Perguntam-me: O que representam 25 anos de Vida Religiosa Oblaciana?
Digo, por simplicidade, toda a realização de um projeto de vida, com as Graças Divinas atuantes, em agradecimento aos dons recebidos, aos exemplos e atuação dos mais ricos em idade e, na Consagração.
              
Em suma, 25 anos de Vida Religiosa, se tivesse que voltar atrás, os repetiriam de novo: com os acertos, erros e dificuldades, alegrias e  realizações...

III)Qual conselho para as gerações que estão chegando para as fileiras da Comunidade Oblaciana?
              
Única e simplesmente, a humildade – que tem por definição na Espiritualidade – como o reconhecimento dos direitos absolutos de Deus, em todas as etapas de nossa vida.

Conclusão:
              
Como ponto final, dirijo-me à Bem Aventurada Virgem Maria, Senhora das Vitórias; Paradigma e Onipotência Suplicante, transcrevendo o Cântico do Magnificat (Lucas 2, 46 – 55):

- A minh’alma engrandece ao Senhor,*
E se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador,
- pois, Ele viu a pequenez de sua serva, *
Eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita.

- O Poderoso fez por mim maravilhas *
E Santo é o seu nome!
- Seu amor, de geração em geração, *
Chega a todos que o respeitam.

- Demonstrou o poder de seu braço, *
Dispersou os orgulhosos.
- Derrubou os poderosos de seus tronos *
E os humildes exaltou.

- De bens saciou os famintos *
E despediu, sem nada, os ricos.
- Acolheu Israel, seu servidor, *
Fiel ao seu amor,

- como havia prometido aos nossos pais, *
Em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.

- Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.


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              Em Cristo Sacerdote, a Virgem Maria Santíssima e, São José!
O meu muito obrigado, a todos os amigos (as) e, Confrades!
Ir. Jerônymo Gonçalves dos Santos – ocs.
Jubilando (1989 – 25 de Janeiro – 2014 )







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A.   M. D. G.