sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Quarto Domingo de Agosto: Vocação Laical

Queremos nesta quarta semana celebrar a vocação laical. Normalmente quando falamos em leigo pensamos em alguém que não entende de determinada coisa, "sou leigo no assunto". No entanto, não é neste sentido que a Igreja entende o laicato. Leigo é aquele que pelo batismo é membro do Povo de Deus. 

Dentro da Igreja, leigos e leigas se organizam através de grupos pastorais, comunidades, movimentos e de tantas formas se fazem presentes como operários e operárias da messe do Senhor. Assim têm, não apenas o dever, mas também o direito de participar ativamente da missão da Igreja. Unidos a Cristo pelo Batismo, inseridos como membros de seu corpo e fortificados pelo Espírito Santo, recebem do próprio Cristo o trabalho apostólico na grande messe. (cf. Decreto Apostolicam Actuositatem). Os leigos, portanto, neste mês vocacional, celebram este chamado de Deus a fazer parte de seu povo escolhido e pela força desta catolicidade contribuem com seus dons peculiares e variados.

Os cristãos leigos e leigas recebem de Deus a graça de viver sua vocação na sociedade onde estão inseridos, buscando e sendo expressão viva do Cristo Jesus que “teve compaixão ao ver a multidão cansada e abatida como ovelhas sem pastor” (Mt 9, 35-38).

O Concílio Vaticano II nos deu uma nova visão de Igreja e começou a esboçar uma teologia do laicato. São alicerces que permitem a continuidade da reflexão cada vez mais aprofundada deste tesouro para o futuro da Igreja, que são os leigos e leigas. O Papa Pio XII, em 1946, proclamou: “os leigos são greja”. O Concílio Vaticano II, documentos e discursos de Paulo VI e de João Paulo II, foram iluminando mais a afirmação de Pio XII.

Estamos no jubileu de ouro do Concílio Vaticano II. As comemorações desse evento importante é uma oportunidade para que examinemos o papel e a missão dos cristãos leigos e leigas, vocacionados, discípulos missionários de Jesus Cristo a contribuir e ter o seu papel de evangelizadores numa Igreja toda vocacionalizada e ministerial. Aqui não se trata de um ocupar o lugar do outro. Precisamos, pois, superar esta “insegurança” e acreditar mais na criatividade do Espírito de Deus.

Compreender a Igreja como comunidade de operários e operárias a serviço da messe do Senhor, talvez seja o desafio para entender que na Igreja há multiplicidade de carismas e diversidade de ministérios, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos (1 Cor 12,6). Refletindo este tema, como cristão leigo devo me perguntar: Qual a minha missão, qual o meu lugar, qual o meu compromisso, considerando-me um vocacionado que pelo batismo assumiu o chamado de Deus? Ou, o que Deus quer da minha vocação como cristão leigo ou leiga?

Conscientes do chamado de Deus, como cristãos leigos e leigas somos convocados para, em comunhão assumirmos a nossa vocação e missão. Todavia, isto não significa ser apenas um expectador ou

destinatário da mensagem evangélica e das preocupações da Igreja, mas, sim, ser um interlocutor consciente de sua missão de cristão leigo. Neste ínterim, sem dúvida alguma, os cristãos leigos e leigas “participam do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo e compartilham a missão de todo o Povo de Deus na Igreja e no mundo” (cf. Decreto Apostolicam Actuositatem, nº2). Este foi um aspecto importante do Concílio Vaticano II, um impulso dado pelo Espírito Santo à Igreja, quando ela própria reafirma a valorização dos cristãos leigos e sua missão como operários e operárias na grande messe, “uma multidão cansada e abatida, como ovelhas sem pastor...” (Mt 9, 35-38). Certamente isto emerge como um elemento fundamental para a nova realidade do mundo numa “mudança de época”.

Portanto, todos na Igreja possuem a vocação para a missão de evangelização. Passamos, então, a falar da missão da Igreja no mundo, servindo ao reino e não a si mesma. Nesta missão evangelizadora da Igreja, devemos recordar a missão do cristão leigo, como um bom operário da grande messe do Senhor. Ora, o que significa ser bom operário na messe do Senhor? Significa, acima de tudo viver em comunhão com a Igreja, partilhar dons e carismas, ser presença de Jesus Cristo na sociedade, na política, na cultura, nas ciências, nos esportes e nos novos areópagos (cf. DAp. nº 491). Fazer a Igreja presente em lugares e circunstâncias jamais imaginadas.





ORAÇÃO 



Jesus Mestre Divino, que chamaste os apóstolos a vos seguirem, 
continuai a passar pelos nossos caminhos, pelas nossas famílias, 
pelas nossas escolas, e continuai a repetir o convite a
muitos de nossos jovens. Dai força para que vos sejam fiéis,
como apóstolos leigos, como ministros ordenados, como religiosos 
e religiosas/ para o bem do Povo de Deus e de toda a humanidade. Amém.

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