domingo, 15 de maio de 2016

Fundador e Espiritualidade


1)Breve Biografia de nosso Fundador:
              Pe Januário Baleeiro de Jesus e Silva – ocs, nasceu na Vila São José do Uará, Município de Fonte Boa, Estado do Amazonas, aos 15 de setembro de 1922, filho de Joaquim Coelho da Silva e, de Antônia Baleeiro da Silva.
Porque nasceu prematuro, foi logo batizado no dia do seu nascimento. Aos nove anos de idade, ingressou no Aspirantado Salesiano de Jaboatão, Pernambuco, onde fez os primeiros estudos para a Vida Religiosa e para o Sacerdócio.
              Foi enviado à Itália, a fim de fazer o Curso de Filosofia e, voltando ao Brasil, tendo de deixar a Congregação Salesiana estudou a Teologia no Seminário de Belém do Pará, sob a orientação dos salesianos.
Foi ordenado sacerdote na Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará, aos 08 de dezembro de 1945, por imposição das mãos de D. Mário Miranda Vilas Boas e até o ano de 1955 foi Capelão Militar na Base Aérea de Valdecis, próxima de Belém.
              Aos 25 de março de 1955 fundou em Lagoa Santa, Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), a Congregação dos Oblatos de Cristo Sacerdote, com a paterna assistência de D. Antônio dos Santos Cabral, arcebispo de Belo Horizonte e apoio do então arcebispo de São Paulo, Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, que sempre se mostrou cheio de entusiasmo pelo carisma e ideais da Congregação Oblaciana.
              Nos anos de 1962 – 1964, Pe Baleeiro – ocs foi o Secretário dos Negócios da Educação e Cultura do Estado de São Paulo e, contribuiu concretamente para a criação de novas escolas, em todo o Estado e, a instituição de Bolsas de Estudos para seminaristas e Casas Religiosas.
              Pe Baleeiro - ocs, como era conhecido, não apenas tem o mérito de ter fundado na Igreja a nossa Família Religiosa, mas foi para todos nós, modelo de apaixonado amor a Cristo Sacerdote, presente na Santíssima Eucaristia, como também de entusiasmo e fidelidade a toda prova, à Igreja, ao Santo Padre e, de terno e filial carinho para com a Mãe de Deus, a Virgem Maria Senhora das Vitórias, ao Glorioso São José e, aos Santos Arcanjos: São Gabriel, São Miguel e, São Rafael.
Foi essa piedade que pôs em relevo em nossas Constituições e imprimiu na Tradição de nossa Congregação Oblaciana, até o dia em que o Senhor quis chamá-lo para a Pátria dos Bem-Aventurados.
Às 22 horas do dia 16 de maio de 1991, entregou a sua bela alma a Deus. Os fiéis da Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Taguatinga Sul, tendo à frente o Cardeal D. Falcão (Arcebispo de Brasília), prestaram-lhe as últimas homenagens e, em seguida o seu corpo foi transladado para a nossa Casa Geral (Roseira – SP), onde aguarda a Ressurreição na Capela da Sagrada Face em nossa Igreja.
              Neste ano da Misericórdia do Senhor, celebraremos os 25 anos de seu sepultamento, no próximo 16 de maio do corrente ano...
              Temos a certeza de que nosso Fundador Pe Januário Baleeiro de Jesus e Silva – ocs, que tanto sofreu pela nossa Família Religiosa, esteja agora trabalhando, mais do que nunca, pelo progresso, principalmente espiritual da Congregação Oblaciana, pela solução dos problemas que a afligem e pelo aumento de santas, firmes e perseverantes vocações sacerdotais, diaconais e religiosas, podendo assim realizar plenamente o seu carisma fundamental no seio da Santa Igreja  Católica Apostólica Romana.

2)Sobre o Carisma Oblaciano:
              Antes de darmos prosseguimento ao nosso singelo estudo proposto, vejamos e/ou recordemos primeiro o que significa o vocábulo e/ou termo carisma.
Carisma: se entende como um “dom sobrenatural” e “transitório”, que é concedido para a edificação do Corpo Místico de Cristo Jesus e, proveniente do Espírito Santo...
(Dicionário de Teologia Bíblica).
Também, o carisma é um dom do céu, uma graça divina, um conjunto de qualidades sobrenaturais que acredita possuir um líder... (Dicionário de nossa língua portuguesa).
              Em posse destas definições, podemos compreender melhor o que é o nosso CARISMA OBLACIANO, pois cada família Religiosa tem um DOM a oferecer no seio da Igreja de Cristo Jesus.
Olhando o nosso carisma oblaciano, devemos, portanto ver a nossa identidade de “oblatos”. Segundo a definição:
OBLATO: objeto que se oferece à divindade ou aos santos, na Igreja; oferta e/ou o leigo que se oferecia para o serviço de uma Ordem Religiosa...

              Todo carisma tem duas dimensões: a) O que somos e, b) O que fazemos.
a)O que somos. Nossa primeira dimensão é a OBLAÇÃO, isto é, a oferta de nós mesmos a Cristo Sacerdote, pelos seus Sacerdotes e Senhores Bispos Diocesanos.
Portanto, nós Oblatos de Cristo Sacerdote, devemos ser conhecidos por todos os nossos gestos que devem provir da união com a oblação de Cristo: disponibilidade, amor, presença, Eucaristia, Missão, Igreja, etc.
b)o que fazemos. Vejamos, agora, em poucas linhas, a dimensão do nosso carisma, na questão do que fazemos, segundo as nossas Constituições:
1 – Assistir aos Sacerdotes e Senhores Bispos Diocesanos enfermos e/ou anciãos: este é o nosso “carisma mais nobre”, que a nossa Família Religiosa Oblaciana vem exercendo desde a sua Fundação. [Não se trata apenas de ajudar e/ou cuidar de Sacerdotes e Bispos enfermos e/ou anciãos, como enfermeiros profissionais. Devemos ver neles a Face Sacrossanta de Jesus Cristo Sacerdote – esta deve ser e, estar no centro da Formação Permanente de cada membro Oblato.]
2 – Prestar auxílio Pastoral aos Senhores Bispos e Sacerdotes Diocesanos.
3 – Promover Missões Populares Ad Gentes (Projeto).
4 – Colaborar na Formação dos Sacerdotes e na Espiritualidade do Clero (Projeto).
              Podemos dizer e, assumir que a nossa “Oblação” devem ir além de qualquer serviço prestado aos Sacerdotes Diocesanos e Senhores Bispos; deve ser a oferta de nós mesmos pela Santificação do Clero.

3.a)Sobre a Espiritualidade Oblaciana:
              Do nosso carisma decorre a espiritualidade oblaciana. Como expressam as nossas Constituições, a nossa espiritualidade é substancialmente Cristocêntrica e acentuadamente Marial.
“Porque substancialmente Cristocêntrica e acentuadamente Marial”, a nossa espiritualidade oblaciana deve levar-nos constantemente a nos interiorizarmos pelo caminho da santidade, empenhando-se cada um por adquirir um conhecimento cada vez mais profundo da Pessoa Sacerdotal de Cristo Jesus, a fim de melhor servi-Lo, sob a guia da Virgem Maria, via segura que leva às inesgotáveis riquezas do Divino Coração Sacerdotal de Seu Divino Filho Cristo Jesus...
              Quanto à piedade acentuadamente Mariana, “procurem todos os Membros Oblatos a imitar a Virgem Maria, Mãe e Paradigma de perfeição evangélica”, considerando a Palavra de Deus em seus corações abertos às inspirações do Alto e repetindo em suas vidas o “sim” da Sempre Virgem Maria.
Seguir a Sempre Virgem Maria em seu caminho de Fé, principalmente através da Recitação do Santo Rosário e/ou Ladainhas Lauretanas, bem como a Reza do Angelus (Anjo do Senhor).
              Que essa devoção à Sempre Virgem Maria se traduza no desejo ardente alimentado na Oração Suplicante de conhecer cada vez mais a estrutura espiritual e singular ou única da Virgem Maria Mãe de Deus e nossa.

b)Sobre a devoção à Nossa Senhora da Vitórias, Medianeira de todas as Graças (Patrona), na ótica de nosso Fundador.
              A nossa Família Religiosa nasceu com o nome de “Legião dos Oblatos de Jesus Cristo Sacerdote e de Nossa Senhora das Vitórias”
              Por que “Nossa Senhora das Vitórias”?
              Infelizmente, nosso Fundador nunca nos informou o porquê da escolha deste título e, assim, podemos fazer algumas hipóteses:
1)O nosso Fundador, Pe  Januário Baleeiro de Jesus e Silva – ocs, vem da Amazônia (cf. Breve Biografia apresentada neste texto), onde os portugueses trouxeram a devoção à Mãe de Deus, sob  este título. Também no Nordeste brasileiro, é muito popular esta devoção. Em Portugal, vem da vitória dos portugueses sobre os castelhanos, na Batalha de Aljubarrota, de 14 de agosto de 1385...
2)A segunda hipótese é de ter este título surgido da vitória das armadas cristãs sobre os sarracenos, que estavam para invadir a Europa, passando pela Baía de Lepanto, perto de Chipre...
Como nosso Fundador foi salesiano até o fim do Curso de Filosofia, adotou Nossa Senhora Auxiliadora ou da Vitória como nossa Padroeira Principal...

3)Temos ainda uma outra possibilidade, quando o Rei de Portugal Dom João III, enviou Tomé de Souza a fundar em seu nome a primeira cidade da Bahia, ordenando-lhe que dedicasse à Mãe de Deus  a primeira Paróquia e Igreja Matriz. Os primeiros missionários, juntamente com Pe Manoel da Nóbrega, traziam, segundo a tradição, uma imagem da Padroeira, que passou a chamar-se até hoje de “Nossa Senhora das Vitórias”...
4)O nosso Fundador, sendo de origens portuguesas, provavelmente quis tomar este título luso-brasileira, mas desejou com ele considerar, não tanto as vitórias nos acontecimentos e/ou eventos humanos, mas acima de tudo, as grandes vitórias da Mãe de Deus e, nossa, sobre o Mal, sobre o pecado, desde a sua Imaculada Conceição...
5)Quando nossa Família Religiosa Oblaciana esteve em São José das Três Ilhas (Diocese de Juiz de Fora – MG), presentearam nosso Fundador com uma Imagem da Imaculada Conceição em madeira policromada, de origem portuguesa, que passou a ser venerada em nossa Congregação Religiosa Oblaciana como Nossa Senhora das Vitórias...
6)Medianeira de todas as Graças. Nossa Família Religiosa Oblaciana assumiu a Mediação Universal da Sempre Virgem Maria como seu estandarte, colocando-se dentro do ensinamento da Igreja que vê essa Mediação como a Missão Materna da Virgem Maria e sempre subordinada à Mediação de seu Filho, Jesus Cristo Sacerdote, único Mediador entre Deus e os homens.

Conclusão:
              Podemos sentir que no desenvolvimento de nossa Espiritualidade & Carismas e, aos desafios de uma missionariedade oblaciana atual e, como também aos efeitos da re-Fundação, especialmente no redescobrir as tradições e vida de nosso Fundador, nosso Senhor Cristo Jesus nos quer dizer e/ou lembrar que deseja estar presente em nossa caminhada ou peregrinação de Fé e, Esperança em meio a um mundo tão conturbado pelo materialismo, indiferença religiosa e, pelos nossos pecados pessoais, atuais e sociais...
Concluindo, podemos dizer que, não há dúvida: à vista do que expomos humildemente, se vê que Deus, nosso Pai Eterno, quer o mundo de hoje, tão tecnológico e angustiado como nunca, volte a procurar a Face de seu Filho, nosso Senhor Cristo Jesus, Divina Fonte da Verdadeira Paz, conversão e liberdade...
              Que a Sempre Virgem Maria, Senhora das Vitórias e Medianeira de todas as Graças, Patrona de nossa Família Religiosa Oblaciana, alcance de Deus, nosso Pai Eterno, por Cristo Jesus, nosso Irmão Maior e, pelo Divino Espírito Santo, nosso Paráclito, todas as Graças de que necessitamos para a nossa realização espiritual Oblaciana e, perseverança final na Vocação Sacerdotal, Religiosa e na Fé Católica.

Bibliografia:

CONGREGAÇAO DOS OBLATOS DE CRISTO SACERDOTE. Constituições & Diretório Complementar.
_________________________. Oremus cum Ecclesia (Oremos com a Igreja).
Devocionário Interno da Comunidade Oblaciana.

DICIONÁRIO DA LINGUA PORTUGUESA.
DICIONÁRIO DE TEOLOGIA BÍBLICA.
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Atenciosamente,
Ir. Jerônymo Gonçalves dos Santos – ocs.
[Memória do Evangelista São Marcos – 2016].


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